terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Solto palavras ao vento
sem rima ou nexo algum,
mas para que rima e nexo
se somos só contexto.
Só o silêncio mordaz
te faz escutar ao delírio
o som que o coração
mantém oculto e mudo.
Não temos texto
não somos rimas
somos partituras inacabadas
rascunhos de uma obra incompleta.
E em nossas mãos está a arte de interpretar
de completar nossa obra
de reger a música
ao sabor do nosso tom.
Se meu sorriso desaparecer
não tenha medo,
é hora de partir.
Não fomos feitos eternidade
e sim momentos, instantes
e os nossos foram muito bons.
Carrego em meus ombros,
na bagagem da vida,
todas as estradas por ande andei.
Em cada mutação me fortaleço
deixo um pedaço solto no ar.
Sou começo, não tenho fim
no avesso me regenero
e renasço em você
a cada anoitecer.

Edgar Radins.

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